Atari deixou saudade
Quem viveu a infância ou início da adolescência no começo dos anos 80 pode ter tido o prazer de ter possuído o primeiro video-game de "massa" do brasil: O Atari 2600. Antes, apenas alguns poucos "sortudos" tiveram a oportunidade de jogar o emocionante tele-jogo (ou Pong) que consistia de duas barras rebatendo um pixel gigante. O Atari era a evolução! Imagine jogar em resolução 92x160! Em fantásticas 16 cores! Sensacionais 1.19MHz... e não é só isso... memória de RAM 128 Bytes.... e mais... ligando agora você recebe o fabuloso jogo Free Way, onde você deve fazer uma galinha atravessar uma alto-estrada...ops... me enpolguei! :)

Tinha o Odissey (quem lembra do "Senhor das Trevas" ou "Didi na Mina Encantada"?), que podia até ser melhor, mas Atari dominava, principalmente pela fartura de cartuchos disponíveis e da facilidade de encontrar gamers (esta palavra não existia na época) para trocar jogos. Jogos Piratas? Nem pensar.
Este video-game foi o primeiro contato de muitos com algum interação tecnológica (por mais que por muitas vezes você necessitasse utilizar o joystick de forma animal, até calejar, para vencer os 1500m do Decatlon). Daí nasceu a primeira geração treinada com objetivos e estratégias digitais. Nada comparado aos RPGs atuais, ou jogos de estratégia e combate em primeira pessoa, mas dentro de uma simplicidade forçada pela tecnologia existente, foram criados vários jogos onde tomadas de decisões rápidas e paciência de ir e voltar capturando peças para alcançar um objetivo final, fizeram mentes melhores (por mais que muitos não tenham notado).
Por graça da internet, depois de tantos anos, temos acessos a momentos marcantes do Atari 2600 no YouTube:
Pac Man
Pac-Man, o primeiro grande sucesso do Atari, seguia uma lógica psicodélica padrão dos enredos do Atari. Você comandava uma criatura com bocão que comia pílulas e começava a comer fantasmas que passavam a fugir. Depois que o efeito passava você voltava ao normal. Por isso surgiu aquele ditado famoso:
"Jogos eletrônicos não afetam as crianças. Se o 'Pacman', por exemplo, tivesse afetado nossa geração, hoje nós ficaríamos rodando loucamente em lugares escuros, mastigando pílulas de energia e ouvindo músicas eletrônicas repetitivas."
[youtube]juH2qHYX9aI[/youtube]
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Yar's Revenge
Este era o meu jogo preferido (não por acaso era o único que era invencível :P ). No jogo você era um tipo de abelha espacial que precisava comer uma camada de proteção onde existia um canhão que jogava estrelas ninjas. Tinha um míssil que ficava zanzando para atrapalhar. É.... não tem muito sentido mas era divertido.
[youtube]RUKRddiNrsY[/youtube]
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Os Jogos Pornográficos
Alguns cartuchos eram raros e traziam uma conotação pornográfica (se é que podemos chamar assim). Não era vendido nas lojas especializadas e devia entrar por algum ponto da fronteira com o Paraguai, afinal era o período final do regime militar. Ter estes jogos era bem mais difícil do que uma criança hoje baixar um vídeo hardcore (não estou falando de estilo musical). Porém, os jogos eram muuuuitos chatos. Tiver acesso ao abaixo e outro que não lembro o nome. Veja que excitante! :P
[youtube]1DzizQlXm0o[/youtube]
Link para o vídeo
Sensacional, não? Sem falar em jogos interessantes como Missile Command, Enduro, Soccer, Beach Voley, e Defender, e medonhos como ET, que de tão ruim teve que ser enterrado no deserto porque ninguém queria comprar.
Dá para jogar Atari através de emuladores, mas sinceramente, não tem a mesma graça. Jogar Decatlhon apertando alternadamente Z e X??? Não...
Nostalgia... perto de aniversário dá neste tipo de texto :P
E aí, você jogou? Qual jogo preferido? Pode procurar que existem dezenas de vídeos no Youtube :)
Atualizado 1: Se os vídeos não aparecerem no texto é porque o plugin do YouTube do B2Evolution está dando problema.
Atualizado 2: No Mercado Livre existem centenas de ofertas de Ataris e cartuchos. Como liga nas televisões com entrada RCA?
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7 comentários, 1 trackback
"Um texto nostálgico sobre o primeiro video-game de "massa"."
Falou!
"Jogos Piratas? Nem pensar."
Como não? Era o que mais tinha. Só que eram vendidos por empresas "oficiais". Ocorre que naquela época a micro-informática não era tão importante quanto hoje e o Brasil ainda era uma ditadura em transição a democracia, e isso tornava nosso país mais fechado e até certo ponto mais imune as leis internacionais. Acredito que a única empresa que não vendia jogos piratas de Atari era mesmo a Polyvox/Gradiente, que até onde li por aí tinha licensa da Atari norte americana. Mas o resto, tinha até "novas versões" de jogos, que eram na verdade os mesmos jogos originais mas hackeados (e mal hackeados) para dizer que era um "novo jogo". Eu por exemplo fui enganado por um tal "River Raid 2" na época. Ao jogar, constatei que o jogo era praticamente idêntico, com os inimigos nas mesmas posições que o original, mas havia um hack no cenário de fundo, que fazia o rio parecer mais sinuoso. O que de fato não tinha era cópia caseira feita por usuários leigos como tem hoje com o CD gravável, mas qualquer um com conhecimentos de eletrônica copiava as EPROMs dos cartuchos e vendia como se fosse cópia legalizada em lojas comuns, sem a menor interferencia da justiça. Foi justamente dessa época que veio a cultura do brasileiro de copiar sem se importar nem minimamente com direitos autorais.
E era bom que os jogos eram criativos... Nada dessas coisas dos videogames atuais que resumem tudo a jogo de tiro, carro e porrada... :)
O jogo dos rais era o Missle Command. Eu era péssimo nele.
Marco
Aí como eu era inocente!!!
A proteção a informática nacional foi uma atitude bizarra. Não sabia que tinha chegado aos video-games :)
Eu joguei um River Raid 2, e realmente não era lá muito diferente.
Fábio
Decathlon eu citei no texto. Era o quebra joystick mesmo. Impraticável naqueles vendidos separadamente que parecia um manche de caça.
O jogo que eu era viciado, e até hoje, mesmo depois de anos sem tocar em um joystick, continuo uma fera é Megamania. Era um jogo meio sem sentido, mais muito emocionante. É do estilo de Space Inveders: uma nave que tem que destruir os alienígenas. E olha que os alienígenas eram apetitosos. Tinha um que paracia um hamburger, outro um cachorro-quente, etc..
Anos mais tarde (quando eu tinha uns 16 anos) consegui, pela primeira vez, jogar o Demons to the Diamonds, pois estuva eletrônica e criei o meu controle Poddles - item raro no Brasil.
Lembram desses?

Glaydson Lima, Analista de Sistema, geek por genética, from Ceará, baixista por hora sem banda, paizão coruja, tímido para car****, linuxer da ala não talibã e estudante de Direito. Se quiser
07.03.07 23:10:20, 
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