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Os erros mortais na divulgação do Linux
Acompanho a anos o desenvolvimento do Linux e dos softwares livres em geral. Neste tempo noto uma evolução consistente nos recursos, usabilidade e compatibilidade. Porém, alguns erros clássicos repetem-se e influem negativamente no avanço de mercado do sistema livre. A seguir, alguns erros que considero nocivos a popularização do Linux:
Erro 1 - "O usuário precisa ler o manual. O usuário é preguiçoso.".
E lá se vai o endereço do Guia Foca. Dezenas de páginas para saber o que fazem o arquivo /etc/fstab e o diretório /etc/init.d/. Se poucos lêem bula de remédio, imagina o manual do Linux... Se notar a abordagem recente do Linux, este caminha para algo semelhante ao Mac: estes diretórios existem, mas quem precisa saber? O sistema deve ser funcional, elementar e gráfico. Ou um médico deve parar de estudar os últimos avanços da medicina para saber como utilizar o VI (editor em modo texto)?
Erro 2 - "O Linux é pau para toda obra".
Nem o Linux, nem Windows, nem o Mac. Existem utilidades específicas que devem ser respeitadas devido às virtudes e limitações de cada sistema operacional. Certa vez li o testemunho de um economista que dizia que a oportunidade de usar o Solver (add-on do Excel que faz cálculos de pesquisa operacional) justificava todo o preço do Windows + MS Office. Dá pra discordar?
Erro 3 - Confundir comunidade de uso de software com religião.
Fazer que um grupo de pessoas que compartilham o mesmo interesse por softwares assemelhe-se como um grupo fundamentalista xiita-ultra-radical não ajuda em nada. Da mesma forma que normalmente as pessoas criam repulsa pelo conteúdo de pregadores que ficam a gritar pelas ruas, pessoas distanciam-se do radicalismo. A conversão de infiéis (leia-se: usuários Windows) é provavelmente a forma mais rápida de afastar possíveis utilizadores do sistema.
Erro 4 - Confundir distribuição com time de futebol.
Como??? Imagina a final da Copa do Mundo, o Brasil contra o time da casa. O estádio lotado de adversários com suas bandeiras e fazendo barulho. O que fazem os torcedores brasileiros? Usam camisas de times como Flamengo, Vasco, Corinthians, Palmeiras... o que poderia ser uma pequena mancha amarela no estádio tornam -se pequenos pontos imperceptíveis. Não que eu defenda a hegemonia de uma distribuição Linux, o que não dá é ver uma torcida... digo... usuários Linux de uma distribuição, agindo de forma agressiva com outras. Se uma cidade importante decide usar a distribuição Linux X... lá sem vem pedras de usuários da distro Y e Z, porque aquela foi a escolhida.
Erro 5 - "Linux não dá pau".
Não adianta se é a última versão do firefox, ou se é um programa em fase experimental, são todos desenvolvidos por homens, com código e sujeito a uma imensa série de condições de uso. Softwares podem ter erro, e com certeza terão (Murphy está aí para não esquecermos). Para o usuário comum, qualquer falha, mesmo de super-aquecimento de placa de vídeo, será motivo para um sorriso amarelo de desprezo: "Não dá pau né?".
Erro 6 - O usuário Jedi.
Uma das virtudes do Linux é permitir que o usuário tenha liberdade para decidir como quer o sistema. Se quer trabalhar em modo texto... use. Se quer um ambiente gráfico cheio de firulas... que tenha. Se quer um ambiente gráfico objetivo... que o utilize. A questão é, para o usuário novato, será que é interessante apresentar ferramentas para que este aja como um Jedi que sabe linhas de comando por obra divina?
Estes são os principais erros que visualizo. A popularização do Linux depende de muitos outros fatores, mas estes citados fazem parte do dia-a-dia dos usuários, maiores incentivadores do sistema operacional livre. É o caminho mais fácil(?) de mudar. Mercado, padronização, e etc? São assuntos para outros textos :)
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