indústria De dentro de suas confortáveis salas climatizadas, executivos analisam qual será a próxima nova onda musical. É de suas mentes brilhantes que sairão aqueles que ocuparão a parada musical. Será melhor requentar algum estilo ou grupo antigo, criar o seu próprio produto para inserção na modinha atual ou fazer a versão nacional de algum hit pausterizado do hemisfério norte? Não importa, basta algum investimento em publicidade (leia-se corrupção de mídias, vulgo jabá) e qualquer medíocre KLB fará sucesso.

A indústria diz: o filme será lançado no cinema, depois de x meses no pay per view, depois em DVD... Tudo cronometrado. Quem ousa quebrar este processo?

A internet.

Devem almadiçoar a internet. Ela quebrou tudo. O ser humano é resistente à mudança, principalmente quando desmontam todo o processo comercial consolidado. O padrão que funcionou bem por décadas. O grupo musical, agora, pode ser lançado por um sistema de compartilhamento de arquivos, como fez o Arctic Monkeys. Um CD, ou melhor, um álbum, pode ser vendido sem atravessadores, sem mídia, sem custos de distribuição, diretamente pela banda, como fez o Radiohead. Uma estação de TV pode receber conteúdo de qualquer um que tenha uma boa idéia, e um pequeno equipamento, avaliado pelos internautas e publicado para todos, como fez o current.tv do Al Gore.

A internet desmontou a indústria cultural. Um golpe tão certeiro que em, momento de loucura, pensou em cobrar por arquivos transmitidos via internet mais do que os gravados em mídia, transportados por aviões/caminhões e vendidos em shoppings com alto custo administrativos.

A indústria precisa se re-inventar. Sair do modelo de fazer ídolos como em American Idol. Ninguém aguenta mais "o é assim que o povo gosta". Entender que o cliente não quer assistir o último capítulo de Lost toda semana às 21hs de segunda-feira porque talvez ele esteja trabalhando, estudando ou prefira assistir a final do campeonato de várzea do bairro (ao vivo).

Aquela revista de música que criava tendências já não tem tanta importância. Blogs podem dar sua opinião sincera (ou não). A programação escolhida meticulosamente para levar o espectador assistir blocos segmentados perde para a visualização caótica de um Youtube.

Seria ingenuidade achar que a indústria cultural já caiu. Os exemplos citados são exceções. Porém, são um caminho. A internet desfez uma postura acomodada e passiva dos espectadores. Tenha em mente a fórmula de filmes blockbusters da década de 80 e os atuais. Fórmulas prontas versus enredos mais elaborados. Houve uma evolução. Talvez uma reação da indústria que já tenha começado a notar que seu cliente não é tão idiota quanto pensava.

Leitura recomendada:

Crédito da imagem: http://flickr.com/photos/metrix_feet/1865699335/


Sugestão musical para este texto: Arctic Monkeys - 'Fluorescent Adolescent'. A melhor música de 2007.

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