Vida digital após a morte

por Glaydson Lima Email

Recentemente estava organizando as fotos dos meus filhos no Picasa. Um belo acervo de todo crescimento deles e de momentos inesquecíveis. Fiquei pensando: se eu morrer, como eles terão acesso a este trabalho? Tá, tudo bem, já mandei o compartilhamento para algumas pessoas da família mas... se não souberem usar? Se o convite ficou no limbo do lixo eletrônico? Ahhhhhhhh!!!!

Desculpe, mas não é porque se rotulou os dados hospedados em servidores na internet de "computação nas nuvens" e você acha que foi um bom(boa) garoto(a) e vai pro céu, que você terá acesso de lá. Pelo que sei, não existe São Pedro's lan house (se é que você acredita em vida além de nossa existência, eu não). Ah! Esse papo é chato mesmo. Só há uma certeza na vida: a morte (nos EUA são duas, a outra é imposto, para nós não se considera). Como ficam meus dados? Hein? Hein?

Neste caso, lá no Picasa, existe a opção de compartilhar com algumas pessoas ou deixar público o álbum. A primeira opção me deixa ressabiado de que àqueles a quem confiei a visualização percam o convite como já explicado. A segunda, meu sentido-aranha explode pois sou paranóico com privacidade de dados pessoais. Sabe-se lá se em 2022, numa prisão com conexão 6G, o malandro vai descobrir uma foto do meu filho na escola faculdade e me ligar com um falso sequestro: "Olha, estou com seu filho [dado da internet], que estava na faculdade [dado da internet] ele é [dado da internet]". O que fazer? Este é o meu dilema: ou deixar dados mais públicos ou temer perdê-los numa vida digital além da minha existência já que o Google ou qualquer outro servidor, não recebe atestado de óbito para cancelar contas.

DatacenterO irônico da história, tendo como segundo micro um Data Center, é que agora o backup fica na máquina local. O Rafael Arcanjo passou por uma situação delicada no furto de seu notebook. Pra mim, roubar meu notebook faz menos mal do que capturar minha senha do Gmail (não é que esteja autorizando, ok?). Minhas fotos estão no Picasa, meus e-mails no Gmail e meus arquivos mais importantes no Dreamhost. Se destruirem isso, eu pego um tacape e vou para uma caverna aprender a fazer fogo com pauzinhos.

Se te interessa esta reflexão de vida digital após a morte leia o texto queo Inagaki escreveu. Um dos melhores textos que já li na vida. Trata da morte e vida digital e retrata principalmente o caso de perfis de pessoas mortas deixadas no Orkut.

Crédito da imagem: Flickr do Sérgio Lima.


Sugestão musical para este texto: Supernatural Superserious - REM

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3 comentários

Comentário de: Rafael Arcanjo [Visitante] · http://arcanjo.org
****-
É um assunto complicado. Eu comprei um HD externo e pretendo fazer backup semanal nele de todo o meu computador (notebook no caso). Parece ser a solução, porém, e se este HD queimar ? E se assaltarem minha casa e levarem o HD e o Notebook ? E se explodir o datacenter do google no mesmo dia ?

É complicado, mas a gente faz o máximo possível. Creio que o HD externo seja uma boa estratégia no momento.
05.11.08 @ 06:34
Comentário de: Sérgio Lima [Visitante] · http://sergioflima.pro.br/blogs
*****
Uma ótima ilustração para um ótimo texto :-)

Mas falando sério, é interessante esta idéia de que nosso disco local é que é o backup dos nossos dados na nuvem!

@Rafael Arcanjo, considero espelhamento da /home ("seus documentos" se usa o janelas) uma prática obrigatória para qualquer dispsotivo que tenha dados!

06.11.08 @ 14:27
Comentário de: lucia [Visitante]
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interessante,esse assunto é muito curioso pois tenho muitos desencarnados em minha vida atual e como tento comunicação gostaria de saber mais.
07.11.08 @ 12:56

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